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Acertos de uma Miúda

"I felt in love for a whisper, a demon, a torment. I felt in love for a madness."

Sou um bicho decepcionado

 Já nem na minha melhor amiga posso confiar. Triste não é? Até ela mudou comigo. Não percebo o porquê de todos o fazerem agora, não percebo o porquê de todos terem necessidade de me apontar o dedo pela minha maneira de pensar. Não acho que seja um bicho tão mau quanto o que me descrevem. Apenas não percebo. Não percebo o porquê de tudo isto não poder ser tão fácil como alguns textos, como alguns filmes ou aquelas histórias mais sérias que podem acabar com um final triste mas mais feliz que isto. Só eu sei o quanto quero e desejo, todos os dias, poder dormir e acordar como se nada fosse, nada tivesse acontecido, como se nunca tivesse batido com a cabeça na porta da minha vida. Se hoje eu me fecho para o mundo, é porque um dia me abri demais. Não culpo ninguém, excepto a mim própria. Eu deixei-me ferir, eu deixei-me ser levada ao ponto de não conseguir voltar. Agora sou um bicho assustado, não mau, assustado. Não tenho medo do que possa vir, mas sim das pessoas que agora cá estão, dos sentimentos que nelas fazem morada. Possuí tantos sentimentos, que trasbordei. Não me sobrou nada, nada, ninguém, nem um sentimento. Não me permito a sentimentos, que não possuo. Não os forço. Não sorrio por obrigação, não amo por obrigação, não odeio por obrigação, nem faço amizades por obrigação. Recuso-me a ser obrigada a sentir. Podem tentar, escreve-me poemas, cantar-me canções, ler-me livros, encher-me de mimos até não mais. Se não gosto, não gosto. Simples. Não sei se hei de considerar como um defeito, talvez não. Posso compara alguém que me decepciona a algo que já teve um contorno definido, que já foi nítido mas que perdeu a nitidez. Sou assim, tudo ou nada, oito ou oitenta. Isto tudo porque aquela a quem eu pensei poder confiar tudo, mostrou-me que estava enganada.